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Que a situação política brasileira não está nada tranquila e muito menos favorável, não é novidade nenhuma. Nesse furacão, a impressão é que o país está dividido em dois lados ... e você tem que estar em um deles. Carlos Maltz, o astrólogo e o primeiro baterista dos Engenheiros do Hawaii, resolveu pegar de novo as baquetas e expor um pouco do que está acontecendo.
A música gravada não foi ao acaso. Maltz, acompanhado por El Escama nos vocais (quem é da era do Orkut vai lembrar quem é), Miguel Soldatelli Ponto Eletro e Osmani Junior (guitarras), Carlos Grison (baixo), Ian (violão), Leonardo TT (teclado), estava participando da gravação do disco do Escama em Londrina e na sobra de estúdio surgiu a ideia de gravar. A música escolhida foi "Vícios de Linguagem", de Humberto Gessinger, que está no disco "Simples de Coração", dos Engenheiros do Hawaii, lançado em 1995, o último que contou com a participação de Maltz na formação da banda.
Em entrevista exclusiva ao blog Rock 80 Brasil, Maltz contou um pouco sobre o motivo de ter gravado essa música: "Regravei 'Vícios de Linguagem' agora porque a música parece ter sido feita sob encomenda, pelo futuro, para o momento presente em que nos encontramos. Ela estava lá esquecidinha no 'lado B' do Simples de Coração. Mas veio com tudo." Em 10 dias o vídeo (que está abaixo) teve mais de 10 mil visualizações no Face do Maltz.
Um trecho da música diz "Tchê, de que lado tu estás?". E qual será o lado que está Maltz?: "Nesse momento, minha aposta é na ironia e num certo distanciamento. É claro que eu tenho um posicionamento. Sou anti-estado-mãe. Pra mim é absolutamente indiferente se existe um Ministério da Cultura ou disso ou daquilo. Quanto menos governo, melhor.  Mas sem levar isso muito a sério, que acho muita burrice alguém brigar com alguém que gosta por causa de política. Se ainda fosse futebol...". Aqui ele explica um pouco mais sobre isso.
E o que será que rola nessa parceria? "Eu tô gravando alguma coisa no disco do El Escama, e talvez a gente grave alguma coisa juntos no ano que vem. No momento não estou pretendendo fazer shows. Mas, como dizia o Ringo 'Tomorrow Never Knows'".





E quem disse que em tempos de sertanejo universitário e outras coisitas mais não surgiria um novo rei do rock? Pois é. Esse novo rei arrasta multidões e tem John Lennon dando uma super força. Quem pode falar um pouco melhor disso é outro astro do rock, do nosso Rock 80 Brasil. Carlos Maltz está lançando o seu segundo livro "O Último Rei do Rock" (Bela Letras). O ex-baterista dos Engenheiros do Hawaii, em entrevista exclusiva ao blog Rock 80 Brasil, falou do novo livro e ... de rock, é claro. Confira abaixo a entrevista:

Blog Rock 80 Brasil: "O Último Rei do Rock" é o título do seu último livro. O que ele tem em comum com o anterior, o "Abilolado Mundo Novo"?
Maltz: "O Último rei do Rock" tem pouco em comum com o "Abilolado Mundo Novo". "Abilolado" é um diálogo fictício que acontece na internet. "O Último Rei" já é ficção mesmo. Acho que caminhei pra frente esteticamente. Assumi meu posto.  "Abilolado" foi um primeiro passo, titubeante, indeciso. "O Último Rei" já é um passo mais firme em uma direção escolhida: a ficção. O que tem em comum entre ambos é o diálogo, que de certo modo é personagem principal dos dois. Sou um apaixonado pelo diálogo. Ganho a vida com o diálogo em meu consultório psicológico. Passo horas por semana dialogando com estranhos no twitter e o diálogo é o personagem principal de meus dois primeiros livros. O encontro com o outro. No "Abilolado Mundo Novo" o diálogo é a própria forma do livro. Tudo é diálogo. E no "Último Rei do Rock" o diálogo entre Juan LMK (personagem principal que nasceu no dia que John Lennon morreu) e o seu próprio "outro" interior é o matrix do livro, onde tudo acontece.

Blog Rock 80 Brasil: Você acredita que o rock ainda possa ter um novo "rei"?
Maltz: O rock está morto, mas o rock nunca vai morrer. O rei está morto, viva o novo rei! Meu voto vai pra Juan LMK, o Último Rei do Rock. Será?

Blog Rock 80 Brasil: Por que a escolha de John Lennon como passagem do personagem Juan?
Maltz: John Lennon pra mim é o maior, o arquétipo vivo. É o gênio pensante do rock. Gostaria de ter o John aqui, nesse mundo em que vivemos, para ouvir o que ele teria a dizer. A ficção me permite fazer isso. Trouxe o John de volta para poder dialogar com ele, através do Juan LMK. Que tipo de diálogo eu poderia ter com Gene Simmons (KISS) ou Nikki Sixx (Mötley Crüe)? Além do mais, o John era um cara super chegado em diálogo também. Ele também era um ser dialógico. Ele também gostava do diálogo. Não era como a maioria dos pop-star que são uma espécie de autistas chatos pra caralho que falam pelos cotovelos e não têm interesse na opinião dos outros. O John não era assim. Ele gostava de polêmica. Era um provocador profissional, colocava as pessoas pra pensar. Talvez uma das profissões que estejamos mais em falta atualmente: provocador de pensamentos profissional.

Blog Rock 80 Brasil: Você acredita na "volta" do sucesso do rock como aconteceu na década de 80?
Maltz: Não acredito que o rock ainda venha a ter o impacto que teve no mundo nos 1960's, e no Brasil nos 1980's. Na verdade, a gente tava vivendo nos 1980's no Brasil o que aconteceu no mundo nos 1960's. O delay foi por causa da ditadura militar. O rock já uma peça de museu, como a fita K7 e disco de vinil, as tecnologias que o viram crescer. O rock continua existindo, tem seu clube de aficionados e talz. Mas, obviamente, não tem mais a vitalidade e a força de impactar o mundo que tinha no passado. A maior parte dos artistas do rock de hoje, com honrosas exceções, como o Muse, se dedica a uma espécie de fetichismo retrô. Meu próximo livro, que está no forno, vai tratar desse assunto.

Blog Rock 80 Brasil: Você fez parte do rock brasileiro. Sente falta do que viveu naquela época?
Maltz: Não sou de sentir falta. Procuro a fonte em mim mesmo, não nas coisas que me acontecem. Não brigo com o Tempo. Ele sempre tem razão, até mesmo quando erra. Às vezes.

Blog Rock 80 Brasil: Qual seu próximo projeto?
Maltz: Estou escrevendo um livro novo, uma ficção mais curta que "O Último Rei do Rock". Tem a ver com o mundo do rock também.
Ele é astrólogo, trocou o Sul pela região central do Brasil e foi um dos fundadores dos Engenheiros do Hawaii. Carlos Maltz estará lançando em breve seu segundo livro "Abilolado Mundo Novo II - #pensarÉgrátis... (ainda)". Nesta entrevista concedida a Ellen Rodrigues, do blog Parabólicas Hawaianas, Maltz fala sobre o novo livro, suas expectativas e destaca o diálogo.

Como você chegou à conclusão de que o livro "Abilolado Mundo Novo" deveria ter uma "continuação", com uma segunda edição?
Maltz: Por que ele é diálogo, e diálogo não tem fim... Eu espero que nunca tenha fim. É o "infinito papo-pop".

Qual é a importância das participações dos internautas tanto no livro "AMN I", quanto, em breve, no livro "AMN II" ?
Maltz: É fundamental porque estes livros estão fundamentados no diálogo. "Diá-logos" significa conhecimento que é construído no encontro entre dois “eus”, o nós.

Quais são as suas expectativas com a vinda de "Abilolado Mundo Novo II"?
Maltz: Este livro agora é bem mais simples e acessível que o primeiro. Quando eu o escrevi, achei que ele era bem simples e acessível, mas muita gente ficou sem entender nada. Então o "AMNII - #pensarÉgrátis...(ainda)" propõe a ser um livro bem mais simples e acessível que o primeiro. Espero que eu consiga.

Enquanto aos elogios e as críticas dos leitores a respeito dos seus livros, o que essas "opiniões" significam para você?
Maltz: Par mim é bem importante porque escrevo livros pra pessoas e não pra mim mesmo. É claro que eu vou continuar escrevendo exatamente a mesma coisa, quer as pessoas gostem ou não, porque escrevo pra expressar minhas ideias e não pra ser apenas entretenimento. Mas eu prefiro que as pessoas gostem e se interessem pelo que eu estou escrevendo. É duro ficar falando sozinho no deserto.

O que os leitores poderão esperar do livro "Abilolado Mundo Novo II" ?
Maltz: Penso que estamos vivendo um momento crucial para a humanidade neste planeta: a hora de nos transformarmos realmente em "uma-unidade". Eu jogo nesse time e meus livros se propõem a contribuir com essa causa. "AMNII - #pensarÉgrátis...(ainda)" propõe a ser um pequeno lapso de tempo, nesse tempo-máquina em que vivemos. Um momento de reflexão para quem não quer ser levado pelo arrastão, da falta de sentido e significado deste mundão.

P.S.1: Agradecimento especial a Ellen que autorizou a publicação da entrevista.
P.S. 2: Hoje às 22h tem Twitcam com Humberto Gessinger. Na íntegra o disco "Ouça o que eu digo, não ouça ninguém".
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