Rock 80 Brasil
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No dia 25 de março de 1986 Lobão lançou um álbum que não só ficou marcado na história do Rock 80 Brasil, como também causou bastante discussão, a começar pelo título: "O Rock Errou". Isso mesmo, em um período que o Rock 80 Brasil trazia uma nova roupagem, com ar mais "político", Lobão deixava bem clara a sua opinião.
"O Rock Errou" veio depois de Lobão e Os Ronaldos e um punhado de sucesso. Lobão mostrou que não veio para brincar. Isso começa logo na capa, em que Lobão aparece vestido de padre e a seu lado uma moça nua (Danielle, sua namorada na época).
O álbum traz clássicos como a faixa-título, "Canos Silenciosos", "Revanche", "A Voz da Razão" (um dueto maravilhoso com a diva Elza Soares) e "Noite Dia", canção composta por Lobão e Júlio Barroso e que já contamos aqui como foi feita. Não lembra, então clique aqui. Chega de conversa e vamos conferir esse clássico do Rock 80 Brasil. 



Houve um tempo em que a TV Globo não restringia as vinhetas de final de ano a um grupo de atores globais cantando "hoje é um novo dia dia e lá lá lá". Não sei se você sabia, mas alguns dos nossos roqueiros anos 80 já participaram de especiais de final de ano, inclusive o nosso querido Lobão.
Final da primeira metade dos anos 80 O nosso Rock 80 Brasil já reinava nas rádios, tvs e imprensa. Depois de um disco solo muito bom, mas que não vendeu muito bem, Lobão se junta com Guto, Baster e Odeid, mais Alice, e forma o grupo Lobão e os Ronaldos, que lançou um disco clássico do nosso repertório do rock brasileiro. Assim, o grupo foi chamado para fazer uma vinheta de final de ano da Rede Globo. É só conferir abaixo. Ah, vale lembrar que naquela época já havia um Papai Noel inadimplente! rs

 

O nosso Rock 80 Brasil é cheio de histórias. Nem sempre só história boas, mas também discussões, brigas e mais um punhado de coisa. Uma delas é mais ou menos assim.
Não tinha mais jeito. A Blitz já virava mania nacional. O hit "Você Não soube Me Amar" tocava nas rádios e tvs de todo o Brasil, de norte a sul. Era só ligar em alguma estação ou em alguma emissora, já se começava a falar do rock nacional e de uma tal de Blitz. 
A Blitz surgiu do encontros de pessoas, entre eles estava Evandro Mesquita e Lobão, na época baterista e que já tocara com vários figurões e que também esteve na lendária Vímana. De uma conversa aqui, outra acolá, foi montada a Blitz, que segundo alguns relatos, foi o próprio Lobão quem sugeriu o nome.
Já no começo da explosão do sucesso, Lobão não estava satisfeito do rumo que a banda estava tomando. Paralelo à Blitz, Lobão gravara um disco solo, o "Cena de Cinema" e acreditava no projeto. Assim, estava prestes a sair da banda para seguir com disco próprio.
Nesse meio tempo a revisto Isto É, de circulação nacional, entrou em contato com a banda e quis fazer uma entrevista, pois a Blitz estaria na capa da revista. Lobão viu aí uma grande oportunidade. Tirou a foto, falou na entrevista e logo depois anunciou a sua saída. Lobão conta tudo isso em detalhes no seu livro "50 anos a Mil".
A revista saiu exatamente no dia 27 de outubro, do ano de 1982. Lobão aproveitou da super exposição e com uma revista na mão foi até uma gravadora com o objetivo de emplacar seu disco solo. Uma Blitz que ninguém esperava. Abaixo um vídeo do Lobão ainda na bateira da Blitz em uma apresentação no Circo Voador.
 


Ele ocupa várias páginas do nosso rock brasileiro. Estamos falando do Lobão, que hoje além de cantor, compositor e músico, é lembrado pelos verbos escritos e falados. Como disse Cazuza, o artista deve mostrar sua posição, mas essa é outra discussão.
Hoje trazemos aqui o clipe de um dos maiores clássicos do nosso Rock 80 Brasil. É a música "Blá Blá Blá", do Lobão. A canção está também no álbum clássico "Vida Bandida", de 1987, o terceiro álbum solo de Lobão e que foi marcado por gravações feitas no período em que Lobão ficou preso. Vale a pena conferir!
 


E falando em Lobão, o velho Lobo, depois de uma apresentação memorável no Hollywood Rock de 1990, voltou ao palco de um outro festival, no Rock in Rio de 1991. Mas se foi bom lá, não foi tanto assim aqui.
Em 1990 Lobão havia lançado o álbum Vivo, que é registro do show que ele fez no Hollywood Rock. Ou seja, o grande Lobo tinha um disco com uma ótima performance e os melhores sucessos. Tinha como dar errado? Tinha, mas não por culpa do Lobão.
Lobão foi escalado para tocar no dia 23 de janeiro, na noite mais "pesada" do Festival. O Sepultura abriu, depois vieram Lobão Megadeth, Queensrÿche, Judas Priest e Guns n' Roses. Com um capacete, Lobão abriu o show com "Vida Louca Vida". Aí os metaleiros já começaram a atirar objetos no palco. Na segunda música Lobão parou o show, fez um discurso inflamado mandando os "mal educados" para pqp e "tomar no ...". Saiu do palco. Depois veio a bateria da Mangueira, que iria participar do show do Lobão, mas também ficou por pouco tempo. O episódio foi um capítulo triste da história do nosso Rock Brasil.

No dia 21 de junho, sábado, a casa de show mais aconchegante do Centro de São Paulo, Cine Joia, recebia o temático e lendário Lobão e a banda paulista Vespas Mandarinas, que dividiam o mesmo palco.
E é claro que a correspondente do blog Rock 80 Brasil, Ellen Visitário, passou por lá e conferiu o que a noite prometia.


Um pouco mais das 23h00 subiam ao palco Thadeu Meneghini (vocal e guitarra), Chuck Hipolitho (vocal e guitarra), André Dea (bateria) e Flávio Guarnieri (contra-baixo) recepcionando um público ainda tímido, porém, atencioso, e emplacando com as canções "O Inimigo", "Rir no Final", "Cobra de Vidro" e "O Vício e o Verso". Percebia que o público tímido não era tão mais tímido assim, pois a banda nascida em 2009 garantiu a noite mesclando as canções de seu primeiro álbum "Da Doo Ron Ron", lançado, independente, no ano de 2010.

A noite fria de São Paulo começava a se esquentar com as Vespas Mandarinas no palco, que ainda embalaram o show com "O Amor e o Acaso", "Santa Sampa" e "Que Esse Dia Seja Meu". E o quarteto viajou no tempo e trouxe à tona uma inspiração: tocaram "A Prova", composição feita por Arnaldo Antunes.

Já não existia mais frio e sim, um coro feito por fãs que contemplavam os caras no palco. O show eufórico e com riffs de guitarra seguiu com as músicas do último disco lançado pelos caras, o "Animal Racional" (2013) e conduziam o show com "Distraídos Venceremos", "O Herói Devolvido", a inabalável "Não Sei o Que Fazer Comigo" e "Um Homem Sem Qualidades".

E fecharam a noite dando um pulo no túnel do tempo, saindo de São Paulo e parando em Porto Alegre, a banda encerrou o show com "Toda Forma de Poder" hit consagrado dos Engenheiros do Hawaii. 
Vespas Mandarinas saíram do palco sobrevoando com o seu recado bem dado e com rock de qualidade.

Mas a noite não acabou! Ao som de Jazz a produção corria contra o tempo para montar o cenário com instrumentos, tapetes e pedestais, afinal, seria a vez do Lobão (o tal do Lobo mal) dar o seu show à parte.

Tudo pronto! Bem posicionados, e além da taça de vinho, Lobão, que dominava o vocal e as guitarras, estava acompanhado com o Dudinha Lima (baixo e vocal) e Armando Cardoso (bateria).

O Power Trio do rock iniciou o show com "Balada do Inimigo", "Baby Lonest", "Canos Silenciosos" e "Decadenc Avec Elegance". 
Era evidente que o público se encontrava nostálgico num show tão elétrico. Conversador e sarcástico, Lobão entusiasmava a galera jovem e da velha guarda com músicas que marcaram a sua trajetória, as tais "Sozinha Minha", "Bambino/Bambina", "Abalado" e "El Desdichado II".
Com certas insinuações (das melhores, aliás) às declarações amorosas, Lobão demonstrou que não era tão mal assim, afinal, ele alegava ser um "amor de pessoa" cantando as seguintes melodias "Mais Uma Vez", "A Vida é Doce", "Sexy Sua", "Vou te Levar" e "Noite & Dia".

Fãs que acompanhavam a carreira do Lobão antes, durante e agora com esta nova formação, cantaram junto e num bom volume um dos hits que consagrou a cena da música,  "Me Chama".
A euforia de ambos fez com que as próximas canções "Samba na Caixa Preta", "Vida Louca, Vida", "Vida Bandida" e "Blá Blá Blá" não ficassem a desejar.

E se você acha que o show parou por aí... Está enganado, meu caro leitor! Lobão deu um show à parte na hora do bis e retornou ao palco com a língua afiada em "Mal Nenhum", "Essa Noite Não" e "Corações Psicodélicos".

As bandas, independente de gerações, demonstravam que ali o velho e novo rock jamais estaria adormecido. Afinal, a noite no Cine Joia era só uma criança. E criança, naquela ocasião, não precisaria dormir mais cedo.

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Cobertura: Ellen Visitário


O selo acústico MTV para muito foi (é) visto como uma forma de alavancar a carreira de um artista ou banda. Ou seja, de um lado um artista pedindo socorro e de outro uma gravadora com muita vontade de ganhar dinheiro. Independente da discussão, a verdade é que muita coisa boa aconteceu nos Acústicos MTVs, como podemos acompanhar aqui toda semana no RockDisco do blog Rock 80 Brasil. Claro que demos destaque para nossos artistas do Rock 80 Brasil, mas muitos outros fizeram parte desta história.
Mesmo contra um sistema gerido pela gravadoras etc Lobão também esteve no rol dos artistas do nosso Rock 80 Brasil que gravaram pelo selo Acústico MTV. Aliás, dos roqueiros anos 80, ele encerrou a série, tendo em vista que depois dele tivemos o Lulu Santos, que já havia gravado um outro acústico.
Lobão gravou seu acústico nos dias 7 e 8 de dezembro de 2006 e o álbum foi lançado em 2007. Estão lá tanto clássicos como as chamadas músicas do lado B. Um belo trabalho que vale a pena conferir!






Hoje o céu de artistas ganhou mais uma estrelinha em sua constelação. Morreu o cantor Jair Rodrigues. Uma das maiores estrelas da nossa Música Popular Brasileira cantou e encantou desde a década de 60. Foi ele quem fez história ao cantar no Festival da TV Record a canção "Disparada", de Geraldo Vandré, que foi a escolhida dos jurados, empatando com "A Banda", de Chico Buarque.
Em 2003 Jair Rodrigues esteve no programa "Altas Horas", de Serginho Groismann, junto com o nosso roqueiro Lobão e juntos cantaram a mesma canção que ficou imortalizada no nosso repertório brasileiro. Vale a pena conferir esse Encontro de gerações.






Lobão é um dos personagens principais do nosso Rock 80 Brasil. Lá no final da década de 70 ele integrou a lendária banda Vímana que tinha tudo para dar certo, mas não deu. Depois passou a tocar bateria para nomes como Marina e Gang 90. Foi um dos fundadores da Blitz. Montou a Lobão e os Ronaldos e assim por diante.
É conhecido pelas posições contudentes, posiconamentos políticos e na década de 80 foi condenado e preso. Foi justamente neste período que Lobão fazia o seu terceiro disco solo, o "Vida Bandida", lançado em 1987 e um dos maiores sucessos do cantor. O clipe da música que dá título ao disco mostra um Lobão cercado por repórteres e cantando a música. Ah, para quem não sabe: o "galera da 11" que Lobão fala no início da música é o número da cela que o grande Lobo ficou preso.
  



João Gilberto é considerado o pai da Bossa Nova. É atribuído a ele a criação da batida deste ritmo que foi sucesso no Brasil e no mundo. João Gilberto é uma pessoa introspectiva, avesso a declarações e entrevistas para mídia. Contrária de outro mestre de nossa música popular brasileira, o Lobão. E o que os dois têm em comum?
Não é difícil achar na internet declarações de Lobão fazendo críticas à Bossa Nova. E não é que João Gilberto, um dos ícones deste movimento gravou "Me chama", que está no disco "Lobão e os Ronaldos", de 1984.
Lobão conta em seu livro que João Gilberto ligou para ele para mostrar a versão que tinha feito para a música. Na gravação João Gilberto tirou o verso "nem sempre se vê mágica no absurdo" que está na versão original de Lobão. Vale a pena conferir a versão "bossa nova" de "Me chama"!


O Hollywood Rock deixou história no rock brasileiro. Lá se apresentaram grandes nomes do nosso Rock 80 Brasil. Entre eles, não poderia faltar, o Lobão.
Na edição de 1990, Lobão fechou a participação brasileira no Festival. Ele se apresentou depois do Barão Vermelho e antes do Tears for Fears e Terence Trent D’arby, no terceiro e último dia do Festival (20 de janeiro em São Paulo e 27 no Rio de Janeiro).
Lobão havia lançado em 1989 o álbum Sob o Sol de Parador. O Festival foi o momento para Lobão dar uma passada em sua trajetória. No show do Hollywood Rock em São Paulo Lobão gravou o que veio a ser o seu álbum Vivo, lançado no mesmo ano. E quer saber? Bingo!! Lobão acertou em cheio, pois o show do grande lobo foi considerado um dos melhores do Festival.
Lobão tocou clássicos como Revanche, Por Tudo Que For, entre outras. Aqui no vídeo a Decadence Avec Elegance, Corações Psicodélicos, Rádio Bla, Essa Noite Não e Cuidado, com a bateria da Mangueira e Ivo Meireles.
  

"O rock errou", disse Lobão em uma época em que o rock era mania e preferência nacional. Dizer que o grande Lobo andava na contramão é errar de direção. Lobão priorizou a mistura de ritmos e sempre deu samba. Em 1988 Lobão grava com o cantor Nelson Gonçalves a música "Deusa do Amor", que está no álbum "Nós", de Gonçalves. O encontro foi memorável, conforme Lobão narrou em seu livro. "Você sou eu ontem" teria dito Gonçalves para Lobão. Além de boas histórias, esse encontro gerou uma linda música, um bolero a la Nelson Gonçalves e com uma pitada de Lobão.

Foi a diva Elza Soares quem levou Lobão para conhecer a primeira estação de Mangueira. Chegando lá coube ao ritmista Ivo Meireles deixar o roqueiro afinado para entrar na avenida pouco tempo depois. Lobão correu atrás e no carnaval de 1988 lá estava o grande Lobo em plena avenida tocando na bateria da mangueira e com um chapéu que era maior que sua cabeça, como ele conta em seu livro.
A verdade é que daí nasceu uma grande amizade entre Lobão e Ivo Meirelles, rock e samba e carnaval. A música Cuidado!, que dá nome ao disco e lançado em 1988, é prova disso: um parceria entre eles, além de Bernardo Vilhena. Olha a Mangueira aí gente!!
Ah, mulheres! Como cantou o Roger Moreira, “se não é por mulher não sai nem do lugar!”. Elas foram (e são inspiração) para muitas músicas, inclusive as do nosso Brock. Nesta seção falaremos um pouco dessas canções e de suas inspirações.
Antes de ser guitarrista, cantor e compositor, Lobão tocou bateria para diversos artistas. Uma dessas artistas era a Marina. O grande Lobo tinha uma paixão por Marina. Essa é uma parte da história.
Certa vez Lobão foi chamado de última hora para tocar com a Gang 90 e as Absurdetes, do saudoso Júlio Barroso. No palco passou uma “menina” que deixou Lobão encantado. Essa menina era Alice, que integrava a banda e era namorada do Júlio.
Em seu livro, Lobão conta que um dia, depois de um show, ele e Júlio conversavam quando Júlio disse que estava apaixonado por duas mulheres: sua namorada, Alice, e pela Marina. Lobão, já amigo de Júlio, confidenciou que estava com o mesmo problema, pois também estava apaixonado pelas mesmas mulheres que Júlio. Este então disse que depois resolveriam isso na prática, mas que naquele momento deveriam fazer uma música. Assim nasceu “Noite e dia”. Alice fora inspiração de Lobão em outras canções, mas isso já é assunto para outro dia.
E tem rock 80 Brasil nas comemorações dos 458 anos da cidade de São Paulo.
Os Paralamas do Sucesso, do Hebert Viana (guitarra e vocal), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria), além dos agregados de alto calibre (dá-lhe João Fera), apresentam-se nesta quarta-feira (25), no Parque da Juventude, às 18h. E, como dizem os outros, “é de grátis”.

Tem Mais: Kid Vinil se apreenta Sesc Bom Retiro, às 18h. Ingressos: R$ 24,00 (inteira), R$ 12,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante) e R$ 6,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
O grande Lobão também canta nos 458 anos da capital paulista. Ele se apresenta no Sesc Interlagos, às 16h. Ingressos: Grátis (comerciário, idosos acima de 60 anos e crianças até 12 anos); R$ 7h (usuário não matriculado); R$ 3,50 (estudantes, menos de 18 e professores da rede pública).
E dá-lhe Rock 80 Brasil!



*Fonte da foto: http://osparalamas.uol.com.br/galerias/img/foto06_1311570105.jpg

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