Rock 80 Brasil
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Quando for dar uma festa evite chamar Marcelo Nova e Samuel Rosa. Pelo que consta nas páginas do rock brasileiro, esses dois, que encabeçaram duas grandes bandas do rock brazuca anos 80 e 90, respectivamente Camisa de Vênus e Skank, trocaram farpas via entrevistas. Um pouco mais dessa história e entrevistas podem ser vistas no site whiplash.
Pelo que contam, certa vez, em 1994, Marcelo Nova assistia um programa de TV quando o apresentador lançou o Skank como a maior banda de rock. Isso teria feito Marcelo reunir o Camisa de Vênus. Em uma entrevista para Bizz Marcelo explicou o motivo da reunião do grupo. Isso teria gerado um contra-ataque de Samuel em relação a Marcelo Nova e colocando junto Raul Seixas. Aí a coisa desandou. Marcelo fez novos ataques a Samuel, desta vez colocando no meio da discussão Herbert Vianna. E assim se escreve mais uma encrenca do nosso Rock Brasil.
Abaixo, um vídeo em que Marcelo fala de Raul e de Samuel Rosa para o programa Supernova da MTV, em 2000.
 




Final de ano é época de relaxar e descansar um pouco. Mas imagina: você está numa boa época profissional e pessoal e em plena virada de ano é mandado embora. Isso acontece em vários lugares, inclusive no Rock 80 Brasil. Foi o que aconteceu quando André Jung saiu dos Titãs. Hérica Marmo e Luiz André Alzer contam essa história no livro sobre os Titãs "A Vida Até Parece Uma Festa" (Ed. Record, 2002).
André Jung foi o primeiro baterista dos Titãs. Com o grupo gravou o primeiro disco, lançado em 1984. Para o segundo disco, que viria a ser gravado em 1985, o "Televisão", o grupo queria uma pegada mais rock n' roll.
Em pleno almoço de Natal de 1984, Charles Gavin, que já havia tocado no Ira! e que estava em uma banda que ainda iria surgir, o RPM, recebeu uma ligação de Branco Mello o convidando para entrar no grupo. Gavin largou o almoço e foi conversar pessoalmente com Branco e com Sérgio Britto, que também estava no local. Charles ainda tentou fazê-los mudar de ideia, mas a decisão já parecia ter sido tomada. Charles aceitou. Assim, durante alguns dias os Titãs estavam com dois bateristas, sendo que um deles, o André não sabia disso.
No dia 31 de dezembro os Titãs foram fazer um show de reveillon no Rio de Janeiro, onde também tocou Lobão e os Ronaldos. Quase todo mundo já sabia que André seria expulso da banda (André ainda não). Depois do show foi marcada uma reunião para 11 da manhã do dia seguinte no hotel onde os Titãs estavam hospedados (todos menos André, que estava na casa da namorada Alice Pink). 
Junto com o empresário, os Titãs avisaram ao André que por 6 a 1, o grupo havia decidido pela sua saída. André ficou nervoso, ofendeu os colegas do grupo e quebrou parte do quarto do hotel. Quem o acalmou foi Nando Reis, o único que tinha votado contra sua saída.
André foi para casa da namorada, avisou que tinha sido expulso e voltou para São Paulo. Mas ele não ficou muito tempo desempregado. Como dividia um apartamento com Nasi, do Ira!, e como a banda estava sem baterista, no dia seguinte André foi convidado a integrar o Ira! e o resto da história sabemos.
Com a saída de André, Charles entrou nos Titãs, porém antes precisava sair do antigo grupo que estava, mas isso é história para um outro post.


Diferente da Bossa Nova, o nosso Rock 80 Brasil nunca foi tão... tipo... calminho. Se olharmos as páginas e páginas do nosso rock veremos algumas (e não tão poucas) confusões. Elas aconteceram entre os integrantes de um mesmo grupo, entre grupo e até entre grupos e a crítica. Isso mesmo.
No dia 28 de outubro o jornalista da Folha de S.Paulo Pepe Escobar publicou um artigo criticando o rock paulista e que não agradou nada nada os rock-punkeiros de São Paulo. A crítica foi feita com base em uma carta escrita por Guilherme Isnard, do grupo Zero, falando sobre isso.

Então no dia 29 de outubro, representantes de doze grupos paulistas se reuniram e foram até a sede do jornal para com o intuito de desautorizar o crítico a falar sobre eles. E aí o clima pesou e Nasi, do Ira! partiu para cima do crítico, mas os colegas o seguraram. No dia seguinte, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre o fato, que transcrevemos a seguir:

Rock Paulista Gera Polêmica e Futuro Debate na Folha
Folha de São Paulo
30 – outubro – 1984 (terça-feira)
Ilustrada
Reportagem local
Representantes de doze bandas de rock – entre elas “Garotas do Centro”, “Voluntários da Pátria”, “Ira”, “Inocentes” e “Metrópolis” – estiveram na redação da “FOLHA”, no final da tarde de ontem (29/10/1984), com o objetivo de manifestar seu desagrado aos artigos do jornalista Pepe Escobar na “Ilustrada”. Motivados pelo texto “Desventuras do rock paulistano” (Ilustrada, 28.10.84), solicitaram uma discussão mais ampla da questão, com a presença do jornalista, suspensa (sic), entretanto, devido a momentânea exaltação dos queixosos. Ânimo exaltado, o vocalista do “Ira”, Marcos Valadão (o ‘Nazi’), tentou partir para a agressão física, contida pelos seus companheiros. Assim que começou o tumulto, agentes de segurança do jornal se aproximaram mas não foi necessária sua intervenção.
Os artistas sentem-se atingidos em sua profissão, considerando que Pepe Escobar “não se interessa em entrevistar e ver de perto o trabalho das bandas, escrevendo de ‘orelhada’ e incitando fofocas no meio, conforme disse Miguel Barella, da “Voluntários da Pátria”. Por isso, enquanto profissionais, “viemos em conjunto desautorizar o Pepe Escobar a escrever sobre elas. Não estamos contra a Folha e sim contra um crítico incompetente”, sintetizou Marcos Mocef, produtor da Mundo Moderno, responsável pelo projeto (em andamento) de apresentação dos grupos no bar “Val Improviso”.
Convidados a colocarem suas reclamações com tranqüilidade, um grupo de sete pessoas (das bandas “Mercenárias”, “25 Segundos Depois”, “Smack” e “Voluntários da Pátria”, e do Mundo Moderno) esclareceu que o descontentamento, quanto às críticas, vem da postura do jornalista: “Ele louva as bandas estrangeiras, independentes como nós, e impede que a semente brasileira cresça. Se Pepe é crítico de rock estrangeiro deve se limitar a isso; ou então que vá conhecer o trabalho desenvolvido aqui para depois falar”, disse Miguel. Segundo Neusa Vidolini, da “25 Segundos Depois”, o jornal pode falar o que quiser, bem ou mal, “desde que se tenha conhecimento de causa. Senão o conjunto das pessoas  focadas desautorizam o trabalho, mesmo que a Folha continue apoiando essa pessoa”.
Ainda segundo esses representantes, Pepe agiu mal quando utilizou trechos da carta do vocalista do “Zero”, Guilherme Isnard (onde discutia a mecânica de programação do rock na cidade) no texto publicado no domingo último. “Ele quis incitar polêmica e fofoca no meio”, disse Miguel. O crítico afirmou que simplesmente tomou parte do texto enviado à Folha para denunciar “um estados de coisas”. Quanto às denúncias afirmou já ter ouvido a maioria das bandas ao vivo, constatando que a maioria, musicalmente, é muito ruim.
“Já citei uma série de grupos, que inclusive não vieram aqui Magazine, Ultraje à Rigor, Voluntários da Pátria, Zero, RPM, todos paulistas, em vários textos. Quando a produção é boa, sai publicado. O critério é óbvio. Mas se o trabalho é primitivo, isso tem que ser levado a público. Esse episódio é lamentável: fruto da posição fechada de um grupo que não aceita crítica e parte para agressão, ao invés de argumentar. Nos países civilizados, a imprensa não precisa andar armada para se defender dos criticados. Aqui pelo visto ainda impera a dialética do ??? (palavra apagada no texto original). Quanto a sugestão de que “escrevesse apenas sobre rock inglês”, disse que não exerce na “Ilustrada” a função de crítico de rock brasileiro e sim escreve sobre vários assuntos.
Atendendo a ansiedade dos músicos, a Folha se dispôs a organizar (em data  a ser marcada nos próximos dias) um debate em seu auditório, ao qual compareceriam tanto representantes das bandas, quanto críticos e especialistas convidados, público, e também o jornalista Pepe Escobar. O assunto deverá ser a produção musical do gênero, suas dificuldades e o papel da crítica. Pepe acha essa decisão algo positiva. “Quero discutir a competência artística, e não a paranóia de membros dos grupos”.
 
Viva o nosso Rock Brasil!


Tirando a saída de Renato Rocha nas gravações do disco "As Quatro Estações", lançado em 1989, pouco se ouvia sobre brigas ou discussões na Legião Urbana. Mesmo com as conhecidas "crises" do líder Renato Russo, ao menos, aparentemente, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá não eram somente membros originais da banda, mas também amigos de Renato Russo. Mas parece que a história "recente" da banda vem sendo cruzada por discórdias entre os antigos membros da banda e o filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini.
O episódio mais recente ganhou repercussão nos últimos dias. No último dia 27 de março, data em que Russo completaria 54 anos, foi lançado por Giuliano o site oficial do Renato Russo, com materiais, depoimentos e mais um bocado de coisa para fã nenhum botar defeito. Porém, ao digitar o endereço do antigo site da Legião Urbana, o usuário é direcionado ao novo site de Russo, em que a Legião aparece como um "capítulo" de sua biografia. Isso causou reclamações por parte dos ex-integrantes e também do ex-empresário, que alegam que vem sendo mostrado a história da banda está ligada somente a Russo.
Esperamos que as partes se entendam e que prevaleça o legado e lembrança de uma das maiores bandas do Rock 80 Brasil.


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