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Homens e mulheres levaram nossos compositores do Rock Anos 80 a fazer lindas canções. Lembro de ter ouvido algumas versões sobre a música "Maurício" da Legião Urbana, que estão no disco "As quatro estações" (1989) uma delas é de que teria sido feita para um romance de Russo. Mesmo que tenha sido neste disco que Renato declarou sua homossexualidade, "Maurício" tem outra fonte de inspiração.
Maurício existe e é de Santa Maria (RS). Aos 14 anos de idade ele pulou na piscina, bateu a cabeça e com isso teve sequelas de fala e de locomoção, o que não o impedia de ter uma vida normal e de se divertir. Maurício foi a um show da Legião. Em um áudio disponível no youtube, Renato conta que este show foi em Santa Maria. O blog do Grings fala que este show foi no ginásio do Corinthians, em São Paulo, em 23 de setembro de 1986, na turnê "Dois". Maurício estava no show e tentando se aproximar de Russo teria sido contido pelos seguranças, não de uma maneira educada. Vendo aquela cena e percebendo que Maurício tinha limitações físicas, deu bronca nos seguranças, fez discurso e o convidou a ir até o camarim da banda. Assim nasceu a canção "Maurício".

"Dane-se tudo que não tiver Dani, só penso nela, quem é ela, o nome dela é Daniela". Muito mais que rima com dane ou com ela, a Dani ou Daniela da música do Biquini Cavadão existe sim. Aliás, não uma, mas duas "Danis" foram inspiração para a canção.
O vocalista Bruno Gouveia contou ao blog Rock 80 Brasil a seguinte história:
"Muita gente nos pergunta quem é Dani. Na verdade, são duas! A canção surgiu no Caroline Café, bar do Rio de Janeiro, durante um bate-papo entre Manno Góes e Coelho . A pretexto de escrever uma música nova, perguntaram o nome de uma funcionária do bar. 'Dani', respondeu a hostess Daniela Smith. Em pouco tempo, o esboço da canção ficou pronto. Mais tarde Coelho a apresentou para Dani Monteiro. A apresentadora gostou tanto que pediu para usar em seu programa de TV 'Caminhos da Aventura',da TV Globo. A música ganhou mais versos e tornou-se um hit."
Então tá falado!!

"Chove lá fora e aqui faz tanto frio, me dá vontade de saber aonde está você, me telefona, me chama"". Esses são versos que embalaram (e embalam) muitos romances. E não poderia ser diferente com o autor da música. 
Lobão conta em seu livro que na época em que fez a música "Me Chama" tinha um romance com Alice Pink Pank, ex Gangue 90 & As Absurdetes e que também tocou com Lobão e os Ronaldos. Lobão e Alice foram para a Europa e no meio da viagem ocorreu uma morte na família de Alice, que nasceu na Holanda. Ela ficou então no velho continente e Lobão voltou para o Brasil. Um dia na sua casa e cheio de saudades Lobão queria ter notícias da amada. Foi aí que Lobão escreveu a canção. O refrão "mágica no absurdo" já estava na cabeça do Grande Lobo há tempos e ali encontrou seu espaço.
A música foi gravada primeiro por Marina e depois entrou no disco "Ronaldo foi pra guerra" (1984) de Lobão e os Ronaldos.
Vocês já ouviram falar da Janaína. Ela é aquela que acorda todo dia as quatro e meia e quando vai para cama tem a impressão que o dia não passou e que nada aconteceu. E apesar disso tudo ela tem sonhos. E quem não tem?
A música "Janaína" é a primeira faixa do disco "Biquini.com.br" (1998) do Biquini Cavadão. Bruno, o vocalista da banda, contou ao blog Rock 80 Brasil que a Janaína, a 'musa' desta canção, trabalha para a sua família há mais de 20 anos. Ela mora em Miguel Couto, bairro de Nova Iguaçu, do Estado do Rio de Janeiro, e realmente acorda às quatro e meia da manhã para pegar no batente.
Na verdade, o nome desta musa é Gessy, e não Janaína. E Bruno conta mais: "Como ela, que acredita nos sonhos, existem milhares em todo o país. E foi o que me inspirou a escrever sobre o tema". Está dito!

"Menina veneno você tem um jeito sereno de ser". Essa é a Menina Veneno que embalou o nosso rock nacional dos anos 80, lá no início da década. A música tem a composição de Ritchie e Bernardo Vilhena. Afinal quem é menina veneno de Ritchie? Quem inspirou a canção?
O blog Rock 80 Brasil perguntou ao Ritchie quem foi sua inspiração. Enganou-se quem pensa que foi uma mulher. Bom... na verdade foi, mas é uma mulher dentro de um homem... Vamos explicar.
Ritchie disse: "No livro do Carl Jung, 'O Homem e Seus Símbolos', no capítulo sobre Ânima, ele cita a 'Donzela Venenosa' como sendo uma das 4 quatro manifestações femininas do sonho masculino. A inspiração principal foi essa." Tá explicado!!

Nem sempre as musas do nosso BRock inspiram canções de amor, com declarações de amor. Há aquelas musas que inspiram outro tipo de sentimento, não menos importante. A música "Camila Camila", do Nenhum de Nós é uma dessa canções.
O grupo conta que logo no início da carreira, eles estavam em um processo de composição. Todos discutiam sobre o tema a ser abordado na música, surgiam frases e opiniões para então depois fechar o formato musical da história. A banda estava em um estúdio forrado de jornais no chão. As manchetes dos jornais fez um do grupo contar uma história envolvendo uma conhecida, um caso de violência. E assim surgiu a música "Camila Camila", o primeiro grande sucesso do Nenhum de Nós.
Ainda em tempo, a nome da conhecida não é Camila. Eles mudaram o nome para preservar a colega. A música foi regravada pelo Cazuza.

O letrista Hebert Viana sempre oscilou entre o animado e o depressivo em suas canções. Tem umas que animam demais e outras nem tanto assim. Isso ficou evidente no disco “Bora Bora” (1988). Se o lado A do LP era tudo para cima, o lado B mandava tudo para baixo. Dapieve conta que em um encontro de Cazuza com Hebert, o primeiro havia dito que Hebert havia roubado o lado B do eterno poeta.
Algumas canções provam isso como “Uns Dias” e “O fundo do coração”. Mas a ferida exposta está em “Quase um segundo”. Lá, entre outras coisas, Hebert diz: “Eu queria ver no escuro do mundo onde está tudo o que você quer para me transformar no que te agrada”. E assim vai. O motivo de tamanha fossa? Paula Toller, vocalista do Kid Abelha.
Hebert e Paula eram considerados, vamos assim dizer, o casal do rock 80. De um lado o vocalista e guitarrista de uma das maiores bandas, os Paralamas do Sucesso; e do outro a musa do nosso BRock e vocalista do Kid Abelha.
O fim do casamento deixou Hebert muito triste e esta tristeza ele colocou em público através de suas canções. E viva o amor!
Os brutos amam e os roqueiros também. Às vezes os roqueiros amam alguém da infância, uma modelo, uma pessoa “comum” e até amam outra pessoa roqueira. E quando isso acontece, sai de baixo, como poderia dizer o papito Supla.
Muitos talvez não saibam, mas antes da Casa dos Artistas (SBT), Supla, o filho de Eduardo e Marta Suplicy, fez parte do nosso rock 80 Brasil. O Billy Idol brasileiro (ou o charada brasileiro) participou de várias bandas dos anos 80, com destaque para a banda Tokyo. Em 1985, em seu disco (“Humanos”), lá estava a “Garota de Berlim”, uma canção que trata daquele amor à primeira vista, entende? Mas quem será essa garota? Supla a conheceu na Alemanha? Vamos por parte.
A Garota de Berlim é nada mais, nada menos, a roqueira alemã Nina Hagen. Não conhece? Pergunte ao seu pai ou ao seu tio, com certeza eles vão lembrar. Naquele tempo poucas eram as mulheres roqueiras e ela era uma delas, com fama internacional.
Nina Hagen esteve no Brasil na primeira edição do Rock In Rio, em 1985. Ela se apresentou nos dias 13 e 20 de janeiro. Foi lá que Supla a conheceu e que tudo aconteceu. Tiveram um lindo e breve romance.
Vocalista da Tokyo, Supla fez a música para sua musa e ela participou da gravação. Atualmente Nina Hagen deixou sua postura roqueira e canta músicas religiosas. Já o papito Supla continua o mesmo papito.
“Não me pergunte quem foi Ana”. Este foi o recado que Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii, deu na música “E-stória”. O recado não foi por menos, pois a pergunta que não quer calar é realmente esta: quem é Ana?
No disco “A Revolta dos Dandis” (1987), lá estava, na quarta faixa do lado A do LP, a música “Refrão de Bolero”. Gessinger fala de um “eu” narrador arrependido por ter falado o que não devia ou algo assim. E no refrão dava o nome da pessoa que causou tal sofrimento: “Ana, seus lábios são labirintos. Ana, que atrai os meus instintos mais sacanas”. Poderosa esta Ana heim?!
Mesmo estando no disco de 87, a música fez sucesso em 90, quando a MTV exibiu o clip gravado em um show no Palace, da tour “O Papa é Pop”.
Pois bem, várias vezes já foi perguntado ao Gessinger quem foi Ana. No programa Matéria Prima (1991, TV Cultura) ele disse que é uma garota de Porto Alegre. Ponto. Nada mais. Já em um Programa Livre (1992, SBT), foi perguntado novamente e ele disse: “Conheci uma Ana que se chamava Ana, conheci outras que não se chamavam Ana. Elas existem, pode crer”.
No disco “10 mil Destinos Ao Vivo” Humberto tirou “Ana” do refrão e assim ficou. Mas... mesmo tirando, ela sempre vai existir, pode crer Humberto!


Bah 1 (como diz Humberto): Humberto é casado com Adriane Sesti.
Bah 2: Ele dedicou uma música para Adriane, mas este é assunto para outro post.
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