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O nosso Rock 80 Brasil é cheio de histórias. Nem sempre só história boas, mas também discussões, brigas e mais um punhado de coisa. Uma delas é mais ou menos assim.
Não tinha mais jeito. A Blitz já virava mania nacional. O hit "Você Não soube Me Amar" tocava nas rádios e tvs de todo o Brasil, de norte a sul. Era só ligar em alguma estação ou em alguma emissora, já se começava a falar do rock nacional e de uma tal de Blitz. 
A Blitz surgiu do encontros de pessoas, entre eles estava Evandro Mesquita e Lobão, na época baterista e que já tocara com vários figurões e que também esteve na lendária Vímana. De uma conversa aqui, outra acolá, foi montada a Blitz, que segundo alguns relatos, foi o próprio Lobão quem sugeriu o nome.
Já no começo da explosão do sucesso, Lobão não estava satisfeito do rumo que a banda estava tomando. Paralelo à Blitz, Lobão gravara um disco solo, o "Cena de Cinema" e acreditava no projeto. Assim, estava prestes a sair da banda para seguir com disco próprio.
Nesse meio tempo a revisto Isto É, de circulação nacional, entrou em contato com a banda e quis fazer uma entrevista, pois a Blitz estaria na capa da revista. Lobão viu aí uma grande oportunidade. Tirou a foto, falou na entrevista e logo depois anunciou a sua saída. Lobão conta tudo isso em detalhes no seu livro "50 anos a Mil".
A revista saiu exatamente no dia 27 de outubro, do ano de 1982. Lobão aproveitou da super exposição e com uma revista na mão foi até uma gravadora com o objetivo de emplacar seu disco solo. Uma Blitz que ninguém esperava. Abaixo um vídeo do Lobão ainda na bateira da Blitz em uma apresentação no Circo Voador.
 


Se o Rio de Janeiro foi um dos berços do Rock 80 Brasil, trazendo nomes como Lulu Santos, Barão Vermelho, Kid Abelha, entre tantos outros, parte de toda essa história tem um nome: Circo Voador, que exatamente no dia 23 de outubro foi reinaugurado nos Arcos da Lapa, depois de ter ficado por três meses na Praia do Arpoador.
A lona azul e branca do Circo foi montada pela primeira vez em janeiro de 1982 na praia do Arpoador, com o objetivo de oferecer um espaço cultural. Várias manifestações artísticas aconteciam por lá, assim como a música, o rock. Passaram pelo Circo logo no início da carreira, ou pela primeira vez, nomes como Barão Vermelho, Legião Urbana, Blitz, Lobão, Os Paralamas do Sucesso, entre outros. Até quem em 1996 o Circo é fechado. Em 2004 o Circo foi reerguido no mesmo local, com uma estrutura para 2,5 mil pessoas. Toda essa história pode ser conferida no documentário "Circo Voador - A Nave", dirigido por Tainá Menezes.
Veja abaixo o vídeo de uma apresentação de 1983 de um dos grupos que sempre estava no Circo, o Barão Vermelho, que falamos ontem, mas que sempre tem espaço por aqui.
 

 
 









 
 


Foi exatamente no dia 21 de outubro de 1981que a história do rock brasileiro ganhou mais páginas e páginas. Foi nesse dia que o Barão Vermelho fez seu primeiro ensaio. Para esclarecer melhor, vamos voltar um pouco no tempo.
Era uma vez dois jovens, Guto Goffi (bateria) e Maurício Barros (teclado), que se juntaram e pensaram em montar uma banda. Logo depois um baixista, que todos conheciam como Dé, se juntou ao grupo. Um pouco tempo foi a vez de um guitarrista fã de rock e de Roberto Carlos, Roberto Frejat. Faltava um cantor e eles queriam um que cantasse bem e gritasse muito. Convidaram Léo Jaime, que já se aventurava nas ondas que começavam a nascer no rock brasileiro. Léo Jaime foi simpático, recusou o convite, mas indicou ao posto o jovem Agenor de Miranda Araújo Neto, conhecido por Cazuza.
Ensaio marcado para uma tarde quente carioca do dia 21 de outubro, Cazuza foi conhecer os "caras". No filme  "Cazuza" essa cena traz Cazuza cantando "Smoke on the Water", do Deep Purple. Mas não foi bem assim. Dé Palmeira nos contou que o que rolou primeiro foi um blues.  Aí por diante sabemos o resto da história que mudaria o nosso rock brasileiro. Ouça abaixo o áudio do primeiro ensaio, como está no filme Cazuza. 
 
Ah esses jovens. Às vezes se metem em confusão que nem deveriam estar. São punks, roqueiros e acima de tudo homens. Mas sempre há uma boa resposta. E Renato Russo sempre foi gênio nas boas respostas.
No livro sobre o ex-vocalista da Legião Urbana, Arthur Dapieve conta que certa vez houve um acidente em uma festa em que alguém havia empurrado um "mauricinho" e este caiu em uma piscina que tinha caco de vidro. Resultado: um corte longo na pele. A suspeita caiu sobre Phlippe Seabra (Plebe Rude), porém este nem estava em Brasília quando do acidente. 
E aí que os punks de Brasília estavam reunidos e chegou um grupo não punks, em número maior que os punks, querendo acertar as contas com Seabra. Este se escondeu em um carro. O grupo perguntou quem era o Philippe e Loro Jones (Capital Inicial) disse que todos eram Philippe. Antes que a briga generalizada começasse de fato, surge Renato Russo dizendo que eles não precisavam brigar e sim que a briga tinha que ser contra o sistema. Um dos integrantes do grupo respondeu: "Então o seu nome é sistema". 


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