Rock 80 Brasil
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É verdade, caro leitor, não é a primeira vez - e nem será a última - que falamos por aqui sobre a Cássia Eller e suas interpretações musicais.

Dessa vez, resgatamos da memória a oportunidade que a Cássia teve ao cantar "Eu sei", da Legião Urbana, no palco do antigo Palace, em São Paulo.

A música na versão ao vivo se encontra no álbum "Com você... Meu mundo ficaria completo", lançado no ano de 2000. Lembrando que a versão original, feita pelo Renato Russo, está no disco "Que país é este?" (1987) da Legião Urbana.

E vale ressaltar que esta não foi a única música dos garotos de Brasília que a intérprete cantou durante o show, pois "Por Enquanto" e "1º de julho" também estão no repertório.

Chega de papo. E bora conferir as versões!







A saída de Cazuza do Barão Vermelho (já falamos disso aqui) gerou uma onda de incerteza na banda. Será que sem Cazuza a banda continuaria? Quem seria o vocalista? Quem faria as letras? Todas essas dúvidas foram força para que os meninos Frejat, Dé, Guto e Maurício decidissem continuar a trajetória do grupo.
Foi no dia  29 de abril de 1986, portanto há 29 anos, que o Barão Vermelho lançou seu quarto disco, o primeiro sem Cazuza. O título veio a calhar: "Declare Guerra". Lá estão registradas canções que eram para terem sido gravadas ainda com Cazuza na banda.
Também foram incluídas canções de outros compositores, como foi o caso da canção "Bumerangue Blues", de autoria de Renato Russo. O interessante é que nunca havia sido lançado a versão de Renato para essa música, só a do Barão. Renato havia gravado a música em seu quarto. O jornalista Marcelo Fróes resgatou a fita k7 com essa gravação e a versão de "Bumerangue" entrou no álbum "Presente", lançado após a morte de Renato Russo. Vamos conferir as duas versões! 
 


Há quem diga que a banda mineira Pato Fu foi criada tendo como principal referência Os Mutantes (a começar pela formação uma mulher e dois homens). Na verdade o Pato Fu trás referências de várias vertentes do rock, inclusive do Rock Anos 80. Uma das personalidades do nosso Rock 80 Brasil, Renato Russo, da Legião Urbana, várias vezes elogiou a banda mineira.
No dia 5 de abril de 1998 o Pato Fu lançou seu quarto álbum, o "Televisão de Cachorro", entre os vários sucessos presentes no álbum está a regravação de "Eu Sei", composição de Renato Russo e que está presente no terceiro álbum da Legião, o "Que País é Este", lançado em 1987. Vamos conferir como ficou a versão rock/eletrônica do Pato Fu.  
Aqueles que acham que ainda não tem mais o que fazer/falar sobre a Legião Urbana está redondamente enganado. Agora é a vez do cantor da banda ter uma exposição própria. Isso mesmo!
Segundo matéria publicada hoje no Caderno 2 do jornal O Estado de S.Paulo, e assinada pela jornalista Roberta Pennafort, nesta semana técncios do Museu de Imagem e do Som de São Paulo visitam o apartamento de Renato Russo em Ipanema para planejar uma exposição sobre o cantor programada para 2017. Quem está acompanhando essa movimentação é filho de Russo, Giuliano Manfredini.
Segundo o filho do cantor, Russo deixou o apartamento de tal forma que quisesse que fosse divulgado. Lá estão os óculos do cantor, CDs, livros e letras de música que foram gravadas e inéditas. Agora é sentar e esperar pela exposição para conhecer um pouco mais desse ídolo do Rock 80 Brasil.

 

*As fotos são de autoria de Marcos de Paula, do Estadão, e fazem parte de ma série que ilustram a matéria e que podem ser conferidas no site do Estadão.


Quem leu o título pode estar perguntando: o que Jerry Adriani (que faz aniversário hoje) tem a ver com o Rock 80 Brasil? Com o Rock 80 Brasil talvez não muito, mas com o rock brasileiro muito.
Jerry Adriani (ou Jair Alves de Sousa) fez parte da Jovem Guarda, movimento de rock que fez sucesso no Brasil no final da década de 60 e início da de 70. Muitos dos nossos artistas do Rock 80 têm influência dos artistas da Jovem Guarda.
Mas além disso, diziam que Jerry Adriani e Renato Russo tinham as vozes parecidas. Contam que certa vez os dois se encontraram e ambos confirmaram que realmente tinham semelhança na voz. No vídeo abaixo Jerry Adriani canta "Monte Castelo", que está no disco "As Quatro Estações", da Legião Urbana, Vamos conferir! 
 



Os dois foram ícones de uma geração de jovens roqueiros que mostraram que a juventude estava muito longe de ser apenas uma banda numa propaganda de refrigerantes. Renato Russo e Cazuza têm muitas coisas em comum. Uma delas era (é) representar toda uma geração que fez poesia e rock nos anos 80. Outra é cantarem aquilo que os jovens da época queriam falar. Tem mais: infelizmente os dois nos deixaram muito cedo.
Cazuza já estava muito fraco. Precisava de cuidados. Mesmo assim queria demonstrar uma força que estava cessando. Ele disse que queria ir ao show que a Legião Urbana faria no dia 7 de julho de 1990. Mas foi justamente nesse dia que Cazuza nos deixou. Renato Russo, colega de geração e de poesia não deixou passar em vão e fez uma justa homenagem ao jovem poeta. Com um violão, Renato Russo tocou a última música, do último lado, do último disco do Cazuza, a "Quando eu estiver cantando", de autoria de Cazuza e João Rebouças, que está no disco "Burguesia", lançado em 1989. Vamos conferir essa versão e a original de Cazuza.
  


















Em 1999 o Multishow gravou um Tributo homenageando o lendário Renato Russo. E no meio de tanta gente que complementa a cena da música, principalmente no Rock 80 Brasil, lá estavam os Engenheiros do Hawaii fazendo parte desta homenagem.
E a canção escolhida pelo líder da banda, Humberto Gessinger, foi “Índios” – gravada originalmente pela Legião Urbana no segundo álbum, o “Dois”, de 1986.

Pra quê esticar a conversa, né? Bora relembrar uma das canções da Legião Urbana na voz de uma banda que iniciou lá no sul. E dale Rock 80 Brasil!




Muitos a consideram da geração Rock 90 Brasil. Mas dá sim pra dizer que Cássia Eller é do nosso Rock 80 Brasil. Cássia foi a porta-voz das músicas de nossos artistas do Rock 80 Brasil como Renato Russo, Cazuza e Nando Reis. De qualquer forma, para resumir a discussão, ela é uma das referências do nosso rock brasileiro.
Com seu timbre forte de voz, a carioca Cássia Eller mudou para São Paulo em busca de sucesso. E foi lá que conseguiu entrar em estúdio. Na gravação do seu primeiro disco, de 1990, Cássia escolheu a dedo as dez canções que fizeram parte do álbum. E lá estava "Por Enquanto", de Renato Russo e que está no primeiro disco da Legião Urbana. Vamos conferir o clipe de "Por Enquanto", que foi exibido no programa Fantástico, da TV Globo.


Os dois  foram (e são) símbolos do nosso Rock Brasil, cada qual no seu tempo. Erasmo Carlos, o Tremendão, esteve na crista da onda no nosso rock quando reinava a Jovem Guarda. Mesmo com o fim do movimento, no final da década de 60 e início de 70, Erasmo continuou fazendo seus rocks e encontrando com os roqueiros que estavam chegando.
Renato Russo presenciou a chegada da música punk no Brasil, mais especificamente em Brasília, quando montou a banda Aborto Elétrico e em seguida a Legião Urbana, uma das maiores bandas do nosso Rock 80 Brasil.
E não é que esses dois ícones do nosso Rock Brasil gravaram uma canção juntos?! É a "A Carta", de Benil Santos e Raul Sampaio, que está no álbum "Homem de Rua", de Erasmo Carlos, lançado em 1992, e também está no álbum "Presente", de 2003, uma coletânea de músicas gravadas por Renato Russo.




De um lado a banda que causou o maior furor lá na metade dos anos 80. Do outro, o líder de uma das bandas de maior representatividade do nosso Rock Brasil, também nos anos 80. Estamos falando de RPM e Renato Russo, da Legião Urbana.
Entre idas e vindas do grupo, em 2001 o RPM mais uma vez se reuniu e começou a tocar uma série de projetos, entre eles a gravação de um show ao vivo, o MTV RPM, lançado em 2002. Lá estão grandes sucessos, entre eles a música "A Cruz e a Espada", gravada originalmente no primeiro álbum da banda, o "Revoluções por Minuto", de 1985. Nesta primeira versão, a música de Paulo Ricardo e de Schiavon trazia uma letra romântica travestida em uma roupagem rock.
No show que resultou no álbum MTV RPM, foi utilizada uma versão acústica, com violão e uma orquestra. Uma linda versão que traz um dueto surpreendente: a voz de Paulo Ricardo e de Renato Russo. Quer saber? Ficou muito bom!

A música "Perfeição" está no álbum "O Descobrimento do Brasil", de 1993, o sexto trabalho da Legião Urbana. Além de ter estourado nas rádio, a música ficou conhecida pela sua letra política e pelo clip, o melhor produzido pela banda e também o último feito.
Com uma bateria eletrônica (além da tradicional) e uma guitarra estridente, Renato Russo canta em tom de protesto várias situações que existem. O celebrar é feito em tom de ironia, pois nada ali deve ser comemorado ou celebrado.
Você sabia que Russo utiliza sete verbos para as situações descritas na canção. São eles: celebrar, comemorar, alimentar, machucar, cantar, festejar e esquecer. São utilizados de forma parecida os verbos "celebrar", "comemorar" e "festejar". Todos os verbos se relacionam a 65 situações. Para o "celebrar", são 44 situações; para o "comemorar", 13; para o "alimentar", 1; para o "machucar", 1; para o "cantar", 1; para o "festejar", 4; e para o "esquecer", 1. Dentro das "celebrações", a primeira é a estupidez humana e a última é "a estupidez de quem cantou essa canção". Dá-lhe Renato!

Não há muito o que discutir: "A cruz e a espada" do RPM é uma das mais belas canções do nosso rock nacional dos anos 80. De autoria de Paulo Ricardo e Luiz Schiavon, ela foi gravada originalmente no primeiro trabalho do RPM, o "Revoluções por Minuto", em 1985. Também está no álbum MTV RPM 2002, em que a música foi incluída em uma versão que contou com a voz do Renato Russo, falecido em 1996. A música também está no "Renato Russo Presente", cujo encarte diz: "Amigos desde os anos 80, e com uma história semelhante de fãs de Rock que começaram no jornalismo, Renato Russo e Paulo Ricardo encontraram-se para uma regravação do clássico romântico do RPM de 1985. Com 'Rock Popular Brasileiro' (1995), seu terceiro álbum solo, Paulo Ricardo deu início a uma nova fase em sua carreira e o sucesso deste dueto de 'A Cruz e a Espada' foi passaporte para a continuação desta etapa."

Nossos roqueiros nem sempre são tão... roqueiros. Isso quer dizer que nossos roqueiros cantam músicas que não são rocks (ou quase rocks). Nesta seção vamos falar de nossos roqueiros que cantam músicas que não cabem no "cabide" rock. Isso só faz admirarmos ainda mais nossos artistas.
Lembro-me quando fazia faculdade de Jornalismo, lá na segunda metade da década de 90, ouvi em uma dessas rádios universitárias a música "Gente humilde", música de Garoto (Aníbal Augusto Sardinha) e letra de Vinícius de Moraes e Chico Buarque, cantado pelo Renato Russo. A música ficou conhecida pela voz do Chico Buarque, gravada em 1969. No mesmo dia que ouvi na rádio fui em várias lojas para encontrar essa versão e não consegui (naquele tempo internet era privilégio de poucos).
Neste vídeo Renato Russo canta "Gente Humilde" no Prêmio Sharp, no ano de 1992. Na versão incluída no álbum "Renato Russo Presente", de 2003, Renato Russo é acompanhado pelo violonista Hélio Delmiro.
No "Presente" todas as músicas têm descrição. Sobre "Gente Humilde" : "Em 1993, um dos anos mais produtivos de sua carreira, Renato aceitou o convite para participar de um dos projetos do professor e produtor Almir Chediak. Acompanhado do violonista Hélio Delmiro, Renato gravou uma arrebatadora versão de Gente Humilde, música antiga de Garoto que ganhara letra de Vinicius de Moraes para que Chico Buarque pudesse gravá-la em seu LP de 1969".

Dizem que os nossos roqueiros dos anos 80 não cultivavam tanto a amizade, com exceções, é claro. De qualquer maneira, vez ou outra eles se encontravam e rolava um som. Nesta seção vamos mostrar alguns desses encontros.
Para começar bem mostramos um especial de televisão de setembro de 1988 que reuniu Legião Urbana e Paralamas do Sucesso. Hebert Vianna e Renato Russo, duas vozes e uma guitarra, cantaram a inspirada "Nada por Mim", uma parceria de Hebert Vianna e Paula Toller. A mesma música já esteve na voz de Marina Lima, Nelson Gonçalves, entre outros.
Após a saída de Leoni do Kid Abelha, o grupo planejou a gravação de um LP duplo ao vivo, no Anhembi, em um show que reuniu 20 mil pessoas, além da gravação para VHS . "Nada por mim" foi apresentado pela primeira vez neste show. Por alguns problemas, saiu um LP simples (não duplo), mas que ganhou o disco de ouro.
As músicas-protestos contra o período do regime militar (1964-1985) não estão restritas àquele período e assinadas somente pela MPB. O Rock 80 Brasil também, em vários momentos, mostrou seu descontentamento a um regime que não existia mais a partir da segunda metade da década de 80, mas que deveria ser lembrado.
A Legião Urbana foi uma dessas vozes e uma das músicas é “1965 (Duas Tribos)”, que está no álbum “As Quatro Estações”, lançado em 1989 (ano da primeira eleição direta para presidente após o fim da ditadura).
A Legião Urbana é uma das bandas do BRock com menos exposição na mídia. São raras suas aparições e entrevistas. No Programa Livre (SBT) de 10 de maio de 1994, Renato Russo falou um pouco desta música.
A “1965 (Duas Tribos)” fala sobre um período do Brasil em que tudo ficou fechado em razão da repressão. Naquela época, dependendo do que fosse dito, lá estava a “guarda” batendo na porta da sua casa e te levando para um lugar, sem saber se voltaria. Mesmo com todas as dificuldades “atuais” do país, Russo exalta, o que ele chamou, de “coisa preciosa” que o Brasil conquistou: a liberdade.
A música fala sobre tortura e essa ideia do brasileiro de que somos o país do “futuro”. E o nosso eterno poeta pede: “Chega de sermos o país do futuro, a gente tem que ser o país do presente, temos que viver o agora.” Está dito!
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